Resposta direta: preço de serviço que funciona sai de uma conta de 4 passos (custo do mês ÷ horas vendáveis + imposto + margem), e não do "quanto o concorrente cobra". O erro que sabota a maioria: dividir os custos por 160 horas/mês, como se você vendesse todas elas. Você não vende. Vamos à conta, com exemplo real.
Resumo pra quem tem pressa
- Passo 1: some o custo total do seu mês (vida + negócio + imposto).
- Passo 2: conte só as horas vendáveis (metade do expediente, na média).
- Passo 3: disso sai sua hora mínima; abaixo dela é prejuízo fantasiado de trabalho.
- Passo 4: venda por projeto, com margem. A hora mínima fica pra uso interno.
O caso da Carla, que "faturava bem" e não sobrava nada
Carla é fotógrafa, MEI, agenda cheia: 8 ensaios por mês a R$ 350. No papel, R$ 2.800/mês. Na prática, não sobrava nada, e ela não sabia dizer por quê.
A conta dela nunca tinha incluído: R$ 900 de parcela da câmera e lentes, R$ 200 de deslocamento, R$ 120 de assinaturas de edição, R$ 86 de DAS e o item que ninguém coloca: o próprio salário. Carla precisava de R$ 2.500 pra viver. O "lucro" dos ensaios estava pagando os custos e devorando o salário dela.
Preço sem conta é isso: você trabalha muito pra descobrir no fim do mês quem não foi pago: você.
Passo 1: o custo real do seu mês
Some três blocos, sem timidez:
- Seu salário-alvo: quanto você precisa tirar pra viver. Não é luxo, é o piso: se o negócio não paga isso, ele não funciona.
- Custos do negócio: equipamento (parcela ou reserva de troca), software, deslocamento, internet, celular, marketing, taxa de maquininha.
- Imposto: MEI, R$ 86,05 fixos (serviços, 2026). ME no Simples, um percentual do faturamento, a partir de ~6% com Fator R favorável.
Carla: R$ 2.500 (salário) + R$ 1.220 (negócio) + R$ 86 (DAS) ≈ R$ 3.800/mês.
Passo 2: horas vendáveis (o número que quase todo mundo erra)
Um mês tem ~160 horas úteis. Mas ninguém vende 160: tem orçamento, resposta de cliente, deslocamento, edição, pós-venda, captação, imprevisto.
Regra realista pra quem presta serviço: 40 a 50% do expediente é vendável. Carla, trabalhando 8h/dia: ~70 horas vendáveis/mês (ensaios + edição cobrada).
Passo 3: sua hora mínima
R$ 3.800 ÷ 70 horas = R$ 54/hora. Essa é a hora mínima da Carla: o ponto de empate, sem um real de crescimento.
Cada ensaio dela consome ~5h reais (deslocamento + sessão + edição + entrega). Custo real: R$ 270. Ela cobrava R$ 350: sobravam R$ 80 por ensaio pra qualquer imprevisto, reinvestimento e crescimento. Por isso "não sobrava nada".
Teste rápido pro seu caso: pegue seu último trabalho, conte as horas REAIS que ele consumiu (com mensagens e revisões) e divida o que cobrou por elas. Se der menos que sua hora mínima, você pagou pra trabalhar.
Passo 4: do mínimo ao preço (margem e pacote)
O mínimo cobre o empate. O preço precisa de mais duas camadas:
- Margem de crescimento (20-30%): é o que vira reserva, equipamento novo e fôlego pra recusar trabalho ruim.
- Valor percebido: venda por projeto, não por hora. "Ensaio de gestante: R$ 550, com 20 fotos editadas e entrega em 5 dias" vende resultado; "R$ 54/hora" convida o cliente a cronometrar você.
Carla reprecificou: ensaio a R$ 550. Perdeu 2 clientes dos 8, e o mês fechou em R$ 3.300 com 30 horas a menos de trabalho. Usou as horas livres pra captar cliente corporativo, que paga melhor. Seis meses depois: mesma agenda, quase o dobro do resultado.
Os 3 sabotadores clássicos
- "Vou cobrar barato pra entrar no mercado." Cliente que veio pelo preço vai embora pelo preço, e te indica pra outros que só pagam pouco.
- "Não vou me pagar salário no começo." Então o preço está errado desde o começo, e você só descobre quando cansar.
- "Depois eu aumento." Aumentar 60% de uma vez pra base antiga é trauma; reprecificar cliente novo hoje é indolor.
Onde o imposto entra nessa história
Preço bem feito já embute o imposto, e é por isso que conhecer o seu regime importa:
- MEI: DAS fixo dilui pelo volume. Mas atenção ao teto de R$ 81 mil/ano: reprecificar pra cima costuma ser o jeito mais saudável de crescer sem estourar por volume.
- ME no Simples: o imposto é percentual, então cada preço precisa carregá-lo. Errar essa camada é dar desconto invisível de 6-15% em tudo.
A parte fiscal dessa equação a Raiza resolve: DAS na mão, teto vigiado e faturamento somado em tempo real. Sobra tempo (e cabeça) pra parte que só você faz: cobrar o que o seu trabalho vale.
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Atualizado em 09/07/2026. Conteúdo informativo. Números de imposto conferidos nas tabelas vigentes de 2026 (Portal do Empreendedor e Portal do Simples Nacional).
Perguntas frequentes
Qual a fórmula básica pra precificar um serviço?
Preço mínimo = (custos do mês + o salário que você precisa tirar) ÷ horas realmente vendáveis no mês, aplicado às horas do trabalho, mais o imposto e a margem. O erro clássico é dividir por 160h/mês, esquecendo que ninguém vende 100% das horas.
Devo incluir imposto no preço?
Sempre. MEI: o DAS é fixo (R$ 86,05/mês pra serviços em 2026), então dilui pelo volume de trabalhos. ME no Simples: o imposto é percentual do faturamento (a partir de ~6% em serviços), então entra direto na conta de cada preço.
Como aumentar preço sem perder os clientes?
Pra clientes novos, o preço novo vale já. Pra antigos, avise com 30-60 dias e ancore em algo concreto (novo escopo, custo, senioridade). Perder os piores clientes pagadores costuma ser lucro disfarçado.
Cobrar por hora ou por projeto?
Por projeto quase sempre paga melhor: o cliente compra o resultado, não o seu relógio. Use a conta por hora internamente (pra saber seu mínimo) e venda o pacote fechado por fora.
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